quinta-feira, 24 de abril de 2008

Unctad: Mais promessas do que concessões para a África



24/04/2008 - 12h04Unctad: Mais promessas do que concessões para a África
Por Francis Kokutse, da IPS
Accara, 24/04/2008 – “A África não é um caso perdido. Sofre as conseqüências de processos que não pode controlar”, afirmou o ativista togolês Ekplom Afeke, na reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comercio e Desenvolvimento (Unctad) que acontece na capital de Gana. Segundo Afeke, a África foi privada de comércio e investimentos durante décadas. Além disso, alertou, o manejo errôneo ambiental em países distantes do continente agora agrava a crise causada pela pobreza.O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que preside o encontro da Unctad, também expressou sua frustração pela falta de resultado dos esforços da comunidade internacional para aumentar o comércio e o investimento em benefício da África. Ban afirmou que “os benefícios da globalização, especialmente o aumento do comércio e os investimentos”, os quais qualificou de motores fundamentais para o crescimento a longo prazo e o desenvolvimento humano, “ainda não melhoraram, lamentavelmente, a situação da África”.A participação do continente no comércio internacional e no fluxo de investimentos é de apenas 3%. “Uma forma segura de elevar essa porcentagem é garantir um rápido acordo na Rodada de Doha” de negociações multilaterais de comércio, “que incorpore um desenvolvimento significativo e melhorias na infra-estrutura”, afirmou Ban. Na última década, os governos africanos foram beneficiados pelo aumento dos preços das matérias-primas que exportam, o que lhes permitiu dedicar mais recursos para avançar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.Entre esses compromissos, assumidos em 2001 pela Assembléia Geral da ONU na presença de numerosos chefes de Estado e de governo, figuram reduzir pela metade a proporção da população que vive na indigência e que sofre fome, até 2015, em relação aos índices de 1990. Mas, Ban alertou que o êxito dessas metas “se vê complicado pelo alarmante aumento nos preços internacionais dos alimentos, que ameaça reverter os progressos obtidos até agora no combate à fome e à desnutrição”. Alem disso, o secretário-geral lembrou que “a mudança climática é outra grande questão de crescente preocupação para a África. Não se pode esperar que as pessoas desse continente, que tão pouco contribuiu para este problema, carregue o peso das medidas que devem ser tomadas com seus próprios meios”.Por sua vez, o secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, criticou o modelo de crescimento econômico baseado no aumento de preços dos produtos básicos. Embora o comércio entre países em desenvolvimento tenha triplicado entre 1995 e 2005, “seu desempenho em conjunto nos últimos anos, e o progresso nas economias de menores rendas, foi muito lente e baseado fundamentalmente na exportação de matérias-primas com muito pouco valor agregado”, afirmou. Neste contexto, as melhorias nas condições de vida “são insuficientes para atingir o objetivo de reduzir a pobreza extrema pela metade até 2015”, alertou Supachai.Ban Ki-moon destacou que muitos países não poderão atingir os Objetivos do Milênio. Afirmou que a África se encontra “em risco, porque nenhum país está encaminhado a conseguir todas as metas até a data prevista”. Mas, acrescentou, nações como Gana, Quênia, Tanzânia e Uganda registram avanços em várias áreas de desenvolvimento, e o Senegal fez progressos para estender o acesso da população à água potável. Alem disso, Níger, Togo e Zâmbia conseguiram importantes progressos no controle da malária através da distribuição gratuita de mosquiteiros. “Estes progressos devem aumentar e se espalhar através da África com o apoio efetivo da comunidade internacional”, disse Ban. Entretanto, existem outros desafios.A organização humanitária Oxfam alertou que a União Européia causará “um dano irreparável às possibilidades de desenvolvimento dos países mais pobres” se não modificar os acordos de associação econômica que devem ser concluídos este ano com as nações da África, do Caribe e do Pacífico. Segundo a entidade, “estes tratados se afastam do objetivo original de promover o desenvolvimento. Seu custo será enorme: se perderá US$ 360 milhões anuais por reduções alfandegárias apenas na África e outros US$ 9 bilhões nas nações envolvidas”.Entretanto, o ministro de Comércio Exterior da Grã-Bretanha, Gareth Thomas, disse na reunião da Unctad que existe uma urgente necessidade de concluir as negociações, para que os países da África, do Caribe e do Pacífico utilizam o comércio como ferramenta para conseguir crescimento e prosperidade. “Se o mundo quer ajudar os países mais pobres, é preciso por fim ao protecionismo e chegar agora” a um acordo sobre a liberalização do comércio, acrescentou.“Um comércio mais justo implica suprimir as proibições às exportações, reduzir os subsídios agrícolas que distorcem o intercâmbio e reduzir as tarifas alfandegárias’, afirmou Thomas. Se isto for conseguido – prosseguiu – “ajudará os agricultores a responderem melhor aos atuais preços altos das matérias-primas, mas isto é apenas parte da solução. Precisamos mais investimentos para aumentar a produtividade e, se os agricultores obtiverem maiores preços, então investirão”, disse. IPS/Envolverde(Envolverde/IPS)



sexta-feira, 18 de abril de 2008

Watoto Children's Coro's

Este é um maravilhoso projeto que vale a pena conhecer. O site está em inglês, mas você pode escolher tradução na página do Google.

É realmente lindo e emocionante!


O Watoto Children's Coro's têm turnê internacional desde 1994. These choirs bring a message of hope to many parts of the world which include countries such as Uganda, Australia, Canada, UK, USA, South Africa, Brazil, Israel, Germany and France. Estes coros trazer uma mensagem de esperança para muitas partes do mundo, que inclui países como o Uganda, Austrália, Canadá, Reino Unido, E.U.A., África do Sul, Brasil, Israel, Alemanha e França. The choir is made up of children who are part of Watoto’s program. O coral é composto de crianças que fazem parte do Watoto do programa.
Accompanied by adult choir leaders from KPC, Watoto’s performances are a soulful blend of African rhythm, contemporary gospel and ethnic dance. Acompanhadas por adultos coro dirigentes da KPC, Watoto's performances são uma mistura de soulful Africano ritmo, dança contemporânea evangelho e étnica. Through their music the choir share their unique stories and express their new found hope. Através da sua música do coro partilhar as suas únicas histórias e exprimir as suas novas encontrados esperança. The children’s energy and sincerity continue to inspire audiences all around the world. As crianças da energia e sinceridade continuar a inspirar todas as platéias do mundo inteiro.
The choir performs to present Watoto’s vision and to give audiences the opportunity to respond to Africa’s HIV/AIDS and war crisis. O coro executa a apresentar Watoto visão do público e dar a oportunidade para responder a África do HIV / SIDA ea guerra crise.
‘Concerts of Hope’ are a lively demonstration of the life changing love of God experienced by the children of Watoto. 'Concertos da Esperança "é uma demonstração animada da vida mudando amor de Deus vivida pelas crianças de Watoto. This experience, gives the children exposure to other cultures broadening their world view. Esta experiência, dá as crianças a exposição a outras culturas ampliando sua visão do mundo. It gives the children confidence and boldness and helps them to rise up out of their own situations of sadness and despair. Ela dá a confiança e audácia crianças e ajuda-los a levantar-se para fora de suas próprias situações de tristeza e desespero.

Notícias de Niger e Somália

Níger: quase 300 mil crianças vacinadas contra o sarampo
MSF enviou equipes para as regiões de Zinder e Maraid, onde foram registrados o maior número de casos da doença

04/04/2008 – Em dezembro de 2007, casos de sarampo começaram a ser registrados na região de Maradi e Zinder, no Níger. Durante o mês de janeiro, as autoridades sanitárias do governo promoveram a vacinação de crianças com entre nove meses e cinco anos de idade. Apesar da campanha nacional de vacinação, o número de crianças infectadas pela doença aumentou: 2,2 mil casos foram registrados nacionalmente entre os dias 1º de janeiro e 23 de março. Para combater a disseminação de doenças, as equipes de MSF deram início a campanhas de vacinação para crianças com entre seis meses e 15 anos de idade em Zinder e Maradi.Zinder: estratégia 'teia de aranha'Na região de Zinder, as equipes de MSF montaram um sistema de monitoramento, treinaram equipes médicas e lançaram uma campanha de alerta nacional nas estações de rádio.Desde o dia 26 de março, 42 mil crianças com idade entre seis meses e 15 anos foram vacinadas em um raio de 15 quilômetros da cidade de Magaria, na fronteira com a Nigéria. A região é muito rural com uma população altamente dispersa. Por isso, MSF adotou uma estratégia descentralizada com equipes móveis indo até os vilarejos mais remotos. Essa estratégia permite que as crianças sejam vacinadas diretamente em seus vilarejos, melhorando a cobertura da vacinação e permitindo uma detecção mais rápida das pessoas com a doença. Estão sendo identificadas cerca de 20 crianças com sarampo por dia. Mais ao norte, outras equipes deram início à campanha de vacinação na cidade de Zinder, no dia 30 de março. Cerca de 94,700 crianças foram vacinadas nos últimos cinco dias. Essa campanha de vacinação vai ser extendida às áreas mais rurais do distrito de Zinder. Todas as 350 mil vacinas compradas por MSF para a região de Zinder foram entregues e estão prontas para serem aplicadas. Maradi: 142 mil crianças vacinadasDos 2,2 mil casos registrados no início do ano, 946 foram registrados na região Maradi (Comuna Maradi, Guidam Roumji e Madarounfa).No dia 1º de abril, 106 mil crianças foram vacinadas na cidade de Maradi (das quais 41 mil crianças com menos de cinco anos) e 35.124 no distrito de Guidam Roumji. A cobertura da vacinação chegou até 88.6%.Sarampo provoca complicações nas crianças desnutridas O Níger tem um dos píores índices de desnutrição infantil aguda e crônica no mundo. MSF mantém programas nutricionais em diversas localidades nas regiões de Maradi (Maradi, Guidan Roumdji, Dakoro), Zinder (Zinder, Magaria) e Tahoua (Madoua e Bouza). Quando a desnutrição e o sarampo se combinam, forma-se um quadro extremamente sério para as crianças. A desnutrição enfraquece a resposta do sistema imunológico e deixa as crianças mais vulneráveis a doenças infecciosas como sarampo. Da mesma forma, crianças com sarampo são mais suscetíveis à desnutrição. Por isso, é essencial proteger as crianças contra o sarampo no Níger. MSF deu início a uma campanha de vacinação maciça para evitar que a doença se espalhe ainda mais.

Fonte: http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=811


Somália: MSF fecha projeto em Kismayo
Decisão foi tomada pela organização após o assassinato de três integrantes da equipe, ocorrido no dia 28 de janeiro

03/04/2008 – Após o assassinato de três integrantes da equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF), ocorrido no dia 28 de janeiro, a organização decidiu fechar seu projeto na cidade de Kismayo, localizada no sul da Somália. Apesar das atividades terem sido encerradas, MSF mantém o compromisso de oferecer assistência médica à população somali. Sendo assim, projetos em outras localidades do país continuam a funcionar. "Essa foi uma decisão extremamente difícil de ser tomada", contou Arjan Hehenkamp, diretor de MSF para Operações na Somália. "Há uma necessidade significante de assistência humanitária independente em Kismayo, mas não podemos continuar a trabalhar em um lugar onde nossa equipe é deliberadamente um alvo e é brutalmente assassinada". MSF condena os ataques contra trabalhadores humanitários e suas conseqüências para assistência das populações vulneráveis da Somália. A Somália enfrenta atualmente uma crise sem precedentes, com uma escalada da violência, deslocamentos maciços e necessidades agudas sem resposta. Centenas de milhares de somalis estão lutando para sobreviver e precisam urgentemente de assistência. Eles são vítimas indiretas de qualquer ataque contra trabalhadores humanitários. Imediatamente após o ataque, MSF suspendeu a presença de sua equipe internacional no país. Apesar de nos dedicarmos a oferecer assistência à população somali, garantir a segurança de nossa equipe e em nossas unidades médicas é a nossa prioridade. Nas últimas semanas, uma análise meticulosa dos diferentes locais onde existem projetos no país foi realizada para determinar as condições de segurança. MSF voltou a trabalhar agora com uma equipe internacional reduzida, em algumas poucas áreas escolhidas.Em setembro de 2007, MSF começou a trabalhar em Kismayo com um programa cirúrgico que oferece atendimento para traumas e obstétrico. Mais de 400 cirurgias e 1.200 consultas de emergência foram realizadas por nossa equipe médica antes que o programa fosse fechado. MSF tem trabalhado continuamente na Somália por mais de 17 anos e atualmente oferece atendimento médico em dez regiões do país. Em 2007, MSF abriu vários novos projetos em resposta às enormes necessidades médicas e humanitárias que surgiram devido aos conflitos no país. As equipes médicas realizaram mais de 2,5 mil operações médicas, 520 mil consultas e internou cerca de 23 mil pacientes.

Fonte: http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=809

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Notícias de Darfur

Darfur: um desafio ainda maior para a ação humanitária
Conflito tornou-se incrivelmente complexo, com grupos dividindo-se em inúmeras facções. Impacto na população civil é devastador

29/10/2007 – Com as negociações de paz realizadas na Líbia, a atenção internacional voltou mais uma vez para Darfur. Depois de quatro anos, o conflito continua. O conflito pode ser menos intenso do que era em 2003 e 2004, mas tornou-se incrivelmente complexo. Grupos armados dividiram-se em um número de facções que lutam por interesses diferentes. Alianças podem mudar repentinamente. Cidades e acampamentos de deslocados internos podem ser atacados sem nenhum aviso. O impacto na população civil é devastador. As pessoas vivem no limite, muitas preparadas para fugir a qualquer momento. Os que encontraram refúgio nos acampamentos ou assentamentos perto das cidades lutam para sobreviver. A ajuda alimentar é limitada, os serviços médicos são escassos e em muitos lugares a ajuda humanitária sofreu sérios danos nos últimos dois anos. Trabalhar em Darfur é um desafio constante. As organizações humanitárias devem ser flexíveis e estar preparadas para responder as dificuldades de se oferecer ajuda em um cenário instável, complexo e em constante mudança. Ainda assim, a frustração e a restrição enfrentadas pelas equipes de MSF não se comparam ao que nossos pacientes enfrentam diariamente. Após quatro anos, com uma atenção internacional ao conflito significativa, a situação em Darfur só parece estar piorando.

Fonte: http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=746

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ONU denuncia destruição de cidade em Darfur

David BamfordEditor, África


A missão das Nações Unidas no Sudão diz que uma cidade na região de Darfur foi destruída, tendo sido incendiados quase todos os seus edíficios e o seu mercado saqueado.
Um comunicado da ONU indicava que forças governamentais tinham assumido o controlo da cidade, Haskanita, na semana passada, depois de suspeitos rebeldes terem atacado uma base próxima da força da União Africana matando dez soldados de manutenção da paz.
As forças rebeldes acusaram as forças governamentais sudanesas, que segundo eles agiram em aparente retaliação aos ataques contra a base da União Africana.
Num momento em que estão previstas conversações de paz entre o governo e os rebeldes de Darfur, no final deste mês, aumenta a volatilidade na região.
Indignação
É notória a indignação global relativamente à deterioração da situação no Sudão.
Indignação em África, que perdeu dez soldados de manutenção da paz que serviam em Darfur depois de homens armados terem atacado o seu campo.
Indignação nas Nações Unidas que vêem meses de esforços a tentar melhorar as perspectivas das conversações de paz sobre Darfur acolhidas pela Líbia, a serem postos em causa pelas novas atrocidades de ambos os lados.
Primeiro os ataques contra os soldados da força de paz da União Africana, conhecida como UNMIS, e agora contra a cidade vizinha de Haskanita, que foi virtualmente destruída.
Cerimónias fúnebres dos soldados da UA mortos pelos rebeldes
Segundo Radiia Achouri, porta-voz da missão da ONU no Sudão "quem quer que tenha sido o autor dos ataques contra a UNMIS, (a missão da União Africana no Sudão) ou o que quer que tenha acontecido em Haskanita - essas pessoas serão responsabilizadas. Como é que isso se vai fazer em termos concretos, é o que terá de ser decidido pelo Conselho para a Paz e Segurança da União Africana e o Conselho de Segurança da ONU."
Silêncio sudanês
Independentemente de quem tenha incendiado Haskanita, a ONU diz que o exército sudanês estava a controlar a cidade na altura.
O porta-voz dos rebeldes de Darfur diz que foi o exército, com o apoio da milícia Janjaweed, que destruiu a cidade, alegadamente matando muitos civis no processo.
Mas não há confirmação disto, e o governo sudanês manteve-se em silêncio.
Os rebeldes por outro lado foram directamente acusados do primeiro ataque há uma semana contra os soldados da missão da União Africana; eles têm rejeitado a acusação. Bahar Idriss Abugaarda, líder de uma facção disse que o seu grupo não participou "em nenhum ataque contra a União Africana em Haskanita. Nós estamos no terreno aqui há anos, e toda a gente nos conhece. Defintivamente, isto não é correcto".
Mas os dedos apontam maioritariamente na direcção de uma facção rebelde rival, uma ala do Movimento de Libertação do Sudão, o SLM.
O problema é que há medida que se aproxima a data para as há muito planeadas conversações, no final deste mês, entre o governo sudanês e os rebeldes, cada vez mais grupos dispersos de rebeldes têm aparecido, tornando todo o processo extremamente difícil, se não impossível de organizar.
A história da tragédia de Darfur, ao que parece, ainda tem mais capítulos pela frente.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2007/10/071008_sudandarfurfil.shtml

Guerras em África delapidam ajuda

domingo, 30 de setembro de 2007

Violência em Kivu Norte prejudica trabalho de MSF

Ataques, saques e violência sexual são alguns dos problemas nessa região da República Democrática do Congo

Amsterdã e Paris, 28/09/2007 – Kivu Norte, província na República Democrática do Congo, é uma área de violência crônica, onde o número de confrontos pode aumentar rapidamente. Devido à recente insegurança em Kivu Norte – foram registrados brigas, saques e ataques nas estradas – a assistência que MSF oferece à população está gravemente ameaçada, se não impossível de ser realizada. Em duas áreas – Nyanzale e Mweso – uma epidemia de sarampo foi identificada em julho, fazendo com que uma intervenção de emergência fosse necessária. Em Nyanzale, equipes de MSF trataram 411 crianças infectadas com sarampo desde julho e 13 mortes foram registradas. Em Mweso, MSF tratou 312 crianças, entre as quais cinco morreram. O sarampo é uma das principais causas de mortalidade nos países em desenvolvimento e pode ser facilmente prevenido através da vacinação. No entanto, a campanha de vacinação que MSF planejou realizar para imunizar 70 mil crianças nessa área teve de ser adiada devido à insegurança. Da mesma forma, continua sendo impossível realizar uma campanha de vacinação em Mweso.Os últimos confrontos resultaram em deslocamentos maciços da população. Na área de Mweso, território Masisi, MSF está desde fevereiro ajudando quatro clínicas e oferecendo atendimento médico para dezenas de milhares de deslocados internos (IDPs, na sigla em inglês) e residentes. MSF realizou 40 mil consultas (incluindo o tratamento de 17 mil pacientes com malária e 440 crianças desnutridas) para IDPs e moradores da área. Mas quando novos conflitos foram registrados no fim de agosto, a maioria das pessoas fugiu. Hoje, o vilarejo de Mweso e os acampamentos nos arredores foram praticamente abandonados. MSF está muito preocupado com a situação dessas populações deixadas sem assistência. Ao sul da cidade de Masisi, estima-se que outros 30 mil deslocados internos vivem há alguns meses em uma área perigosa à qual MSF não tem acesso. No hospital da cidade de Masisi, onde MSF começou a trabalhar no dia 30 de agosto, a equipe médica tratou 51 casos de feridos de guerra durante os primeiros dias. Agora, o hospital de 120 leitos está trabalhando com plena capacidade. Finalmente, a violência sexual é outro problema ao qual os civis estão expostos. MSF trata as vítimas de violência sexual em Rutshuru, Nyanzale, Kayna e Mweso. A cada mês, nossas equipes tratam cerca de 250 vítimas de estupro, nesses quatro lugares. Mas esse número aumento consideravelmente durante o último pico de violência. Nossas equipes trataram 260 novos casos nas primeiras duas semanas de setembro. A situação na província continua extremamente volátil e preocupante. MSF continua tentando levar ajuda à população de Kivu Norte.

Fonte: http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=736